Para quem chegou até este blog por acaso ou engano:
Aqui se escreve sobre a política e o modo de viver de uma cidade chamada Bagé, localizada no Sul do Rio Grande do Sul, um Estado da República do Brasil, no continente Americano do Sul. Aqui também se ironiza e se cultiva o bom humor, mas principalmente, lembra-se às autoridades que não se legisla ou governa de qualquer jeito, sem responsabilidade ou sem o olhar envolvente de quem está atento às coisas do mundo.

sábado, 27 de agosto de 2011

Ouvi dizer que o prefeito está processando o autor deste blog por ter escrito em um artigo que Dudu é o "Lobisomem de Quaraí". Ora, ora... Mainardi foi chamado de Frankstein e achou engraçado. 
Ouvi dizer que o resultado da CPI dos Shows do Militão não terá número suficiente para aprovar o relatório final, caso seja contra a Prefeitura. São necessários 8 votos. Não há mais esse número qualificado com a saíde de Téia Pereira.
Ouvi dizer que Tiago Cezarino receberá R$ 2 mil do PMDB pelo jingle de 2008, na campanha eleitoral de Fernandinho Teixeira. Ganhou na Justiça. No jornal, Pílulas escreveu que ele havia cobrado R$ 14 mil. Não. O valor é a tabela para jingles eleitorais, não quer dizer que tenha cobrado isso.
Ouvi dizer que a cúpula do PT gaúcho tentará, neste domingo (28 de agosto), 13h30min, contemporizar, fazer um acordo, um pactão, entre os que são contra o governo do Dudu e o próprio Dudu e seus amigos. Não conseguirá. A coisa foi longe demais.
Ouvi dizer que até o próximo final de semana, caso o acordo petista não vingue, haverá uma debandada. Não só de parlamentares. Antes sair que ser expulso.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Paulo Parera vai pagar R$ 200
a APAE por ter ofendido Divaldo
No dia 22 de dezembro do ano passado, o secretário municipal Paulo Parera foi para a frente da Câmara de Vereadores, na calçada da Caixa Econômica Federal, e discursou para um pequeno grupo de ex-funcionários do Programa Esporte e Lazer da Cidade. Entre suas palavras, uma frase contundente: "Cambada de sem-vergonhas!"
A ofensa foi dirigida aos vereadores que não aprovaram na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a reedição do Esporte e Lazer. Porém, todos os vereadores se sentiram ofendidos, mas um assessor do secretário Parera disse na Câmara que a ofensa era só para os membros da CCJ. Talvez, Cláudia Souza, do PR, Ivan Casartelli, do PRB, e Ruben Salazar, do PT, líder do governo, tenham sido os parlamentares que não tomaram para si a ofensa. Os outros, todos, manifestaram repúdio às palavras do representante do governo municipal.
No entanto, apenas um vereador levou o caso à Justiça: Divaldo Lara, do PTB. Ele ingressou com ação criminal e cível no Ministério Público (MP). Sexta-feira da semana passada, dia 29 de julho, Paulo Parera aceitou a Proposta de Transação Penal, de parte do MP. Com isso, o processo criminal cessa e o secretário terá de pagar a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE/Bagé) R$ 200. Por outro lado, com o acordo, por um período de cinco anos, Parera não poderá mais recorrer a esse tipo de pena.
"Refleti e cheguei a conclusão que me excedi nas palavras", revelou o secretário, "embora a indignação permanece porque o projeto é muito importante". Ele acha justo pagar a quantia estipulada a APAE, "é uma entidade que merece, realiza um grande trabalho".
Divaldo Lara conta que esperou durante cinco meses e 25 dias a retratação, "que não veio".
A ação cível continua em andamento e prevê indenização por danos morais. Carlos Augusto Souza (Guto) e Priscilla Fischer atuam como advogados do vereador Divaldo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011


Cargos do PSB na Prefeitura 
serão colocados à disposição 
- Fico: “Não é possível servir a dois senhores”-

O Partido Socialista Brasileiro de Bagé, através de seu diretório, decidiu por 18 votos a 10 que deverá concorrer com candidatura própria à Prefeitura nas eleições do próximo ano. A votação também é válida para convidar a vereadora Adriana Lara a ingressar no PSB e ser a candidata maior. 
Para o presidente do partido, o vice-prefeito Carlos Fico, o décimo primeiro voto contrário à proposta - mas só votaria em caso de empate -, a maioria do diretório, em nome de três filiados, entendeu que o PSB deve ter candidatura própria e não seguir participando da atual administração. 
Os três filiados, são: Ricardo Cougo, Paulo Delevati e Sérgio Parodes. O vice-prefeito lembra que eles são cargos de confiança no governo e que, portanto, essa é uma situação inusitada. 
“Saberei me comportar. Como membro do partido não participei e não apoiei essa escolha. Para mim é uma traição em relação ao prefeito, que tem sido parceiro. Vou respeitar a decisão do partido e aquele que me convidou para ser seu vice”, declarou Carlos Fico, que revelou nunca ter passado por situação tão constrangedora dentro do PSB. Ele destacou que o prefeito Dudu nunca fez insinuação sobre os acontecimentos do PSB e não fez pressão. “Porém, como parte do governo é um contrassenso, não se pode servir a dois senhores”, sentenciou Fico. Para ele, não há outro caminho a tomar que não colocar os cargos do partido no governo municipal ao dispor do prefeito Dudu. Afinal, pela lógica, não há como continuar no campo de batalha daquele que será inimigo em futuro próximo.


Um detalhe interessante na conversa que o colunista manteve com Carlos Fico se refere ao fato de que desde a eleição municipal de 1988 prefeito e vice não terminam o mandato sem brigar. “Agora que a relação está boa, surge o partido para desfazer isso. É inusitado, realmente”, lamentou Fico. 


Quanto a entrada de Adriana Lara no PSB, o presidente do partido diz que acatará a decisão da maioria, mas defende que será necessário agir com o respeito que merece o prefeito. Ou seja, partindo do princípio relatado, de que não é possível servir a dois senhores. Assim, o PSB deverá trilhar seu caminho, mas, ao que tudo indica, sem os cargos de confiança no governo Dudu-Fico.     




quinta-feira, 30 de junho de 2011

Um caminho natural

Esta é uma carta aberta, que escrevo para dar satisfação às pessoas que acreditaram e acreditam em meu trabalho.
Faço isso por necessidade, porque devo respeito aos meus filhos, minha família e à comunidade bageense, que apoiaram meus propósitos e ideais em busca de um mundo mais justo para todos.
Nos últimos dias, meu nome está aparecendo nos meios de comunicação de uma forma que me incomoda, confesso; de um jeito que parece fugir ao alcance, extrapolando os limites do meu querer.
Se por um lado devo sentir orgulho porque vários partidos manifestam o interesse de contar com meu nome em suas fileiras, por outro devo anunciar a origem de tais acontecimentos.
Sou integrante do Partido dos Trabalhadores. Tenho bom relacionamento com vários militantes e dirigentes da sigla. Portanto, qualquer desavença ou contrariedade não é com o PT. Através do PT fui secretária de Assistência Social do município, concorri à Assembleia Legislativa em 2006, conquistando 19.517 votos, e me tornei a vereadora mais votada da História de Bagé nas eleições de 2008. Assim, reitero, com o PT não há divergência. A divergência que existe é com a atual administração municipal, que não quis me ouvir, mesmo sendo uma vereadora de 4.085 votos, e nunca pretendeu saber como poderia contribuir para o governo que ajudei a construir e tive participação ativa na continuidade de um projeto, através da reeleição do atual prefeito.
Estes são fatos de conhecimento do povo bageense. Daí surgiram os convites para integrar esta ou aquela sigla partidária.
Quanto a ser ou não ser candidata a prefeita, é algo natural, que surge conforme minhas atitudes, minha posição política, experiência e trajetória na vida pública. Estou em meu segundo mandato na Câmara e cheguei à presidência em 2010, enfrentando situações adversas com a reforma estrutural nos repasses do duodécimo. Consegui vencer essa etapa, modifiquei a condução das sessões ordinárias, criei a TV Câmara e o portal transparência - oferecendo visibilidade ao trabalho exercido no Legislativo, adequei o quadro funcional ao que exigia a lei, sem embaraços ou destemores, e mantive as portas abertas para a boa política e o entendimento franco e aberto com todas as correntes de pensamentos do município.
Some-se a isso minha história como secretária de assistência social, dezenas de projetos de benefício ao cidadão e às famílias, permanente diálogo com o povo de Bagé e  será natural que os líderes partidários vejam em Adriana Lara uma candidata a prefeita de sua terra com reais chances de ser eleita.
Embora, existam conversações - e isso é natural - não há nada decidido sobre meu futuro político. Em primeiro lugar porque preciso ouvir as pessoas que me cercam, ajudam e acreditam no meu trabalho. Independente de siglas, essas pessoas confiam no meu senso de justiça social, na luta que travamos juntos, nos ideais de fazer o bem sem olhar a quem. Devo satisfação a esses amigos que votaram e votam em mim e que me acompanham nessa trajetória, devo satisfação aqueles que ficam surpresos a cada declaração de terceiros a meu respeito e que perguntam se é verdade ou não o que leram ou ouviram. Com eles devo me reunir nos próximos dias para refletirmos juntos qual o caminho a seguir.
Adriana Lara

sábado, 25 de junho de 2011



MOVIMENTOS... PT


A corrente partidária Movimento PT em Bagé no ano de 2010 trabalhou pela candidata a deputada federal Maria do Rosário, obtendo na cidade um total de 868 votos. Meta alcançada,  o grupo estabeleceu novos desafios. 

O 8º  Encontro Estadual do Movimento PT aconteceu em Porto Alegre no dia 18 de junho e contou com a participação de lideranças locais e estaduais, como o prefeito Dudu, o vereador e presidente do partido em Bagé Ruben Salazar e a ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário. Na ocasião houve acordo para que a corrente tivesse participação no Governo Municipal, sendo indicado o nome do agrônomo Luis Henrique Pacheco Correa para ocupar uma secretaria em Bagé. Também houve comprometimento do prefeito para que a corrente possa participar em outras frentes da Prefeitura. “O governo reforça sua identidade plural e qualificada pela participação da corrente que tem a intenção de contribuir”, declarou o coordenador do Movimento PT, Ivan Farinha. 
No entanto, Maria do Rosário não quer aumentar o “tensionamento” que existe entre os grupos políticos do atual e do ex-prefeito do município, Dudu e Mainardi, pelo contrário. A ministra é o maior nome da corrente no RS.
Em 2010, para a campanha à Câmara Federal, a atual ministra contou com estrutura oferecida por Luiz Mainardi na cidade e agora vê a abertura de diálogo com o prefeito evoluir. “Não queremos envolvimento nessa disputa, temos diálogo e abertura com os dois grupos”, alerta Farinha. 
O cavalo está na área da nova barragem
No manhã do feriado de Corpus Christi, os vereadores Sonia Leite e Gustavo Morais correram à Barragem da Sanga Rasa porque uma denúncia alertava que um cavalo morto estava no local há três dias. Porém, a informação errou o endereço. O animal jazia na área de futuro alague da barragem em construção.
De acordo com o DAEB, não existe problema de contaminação da água, pois a terra será removida antes do alague.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O cavalo, o feriado e os vereadores
Os vereadores Gustavo Morais, do PMDB, e Sonia Leite, do PP, passaram o feriado de Corpus Christi "em busca do cavalo morto" na Barragem Emergencial. Segundo denúncia recebida, um cavalo morto permaneceu no local por três dias e só ontem o Daeb retirou o animal e teria enterrado na área da nova barragem.
A confirmação de tudo isso será oferecida amanhã.
De concreto é que os dois parlamentares foram atrás para confirmar ou não a denúncia. 
PSB decide se terá candidatura 
própria  a prefeito em 4 de julho


Carlos Fico, vice-prefeito de Bagé
No início da noite do feriado de Corpus Christi, dia 23, a direção executiva do Partido Socialista Brasileiro (PSB) se reuniu em sua sede, na rua Bento Gonçalves, para definir alguns pontos relativo a intenção de apresentar candidatura própria à Prefeitura de Bagé em 2012. Segundo informações de dirigentes foi uma reunião tranquila em que ficou definido que os filiados serão chamados para conhecer a proposta de um grupo do partido que quer trilhar o  caminho de disputar o Executivo Municipal com uma grande aliança em que não está o Partido dos Trabalhadores. A reunião com os filiados será no próximo dia 30 de junho, quinta-feira. A seguir, o diretório será convocado para deliberar se o PSB deve ou não apresentar candidato à Prefeitura no próximo ano. A reunião com o diretório será em 4 de julho, segunda-feira.
Adriana Lara, a pretendida
para candidata a prefeita
O presidente do partido e vice-prefeito Carlos Fico deve se dobrar à decisão da maioria, tendo em vista que a tendência, se tudo continuar como está, é que ele não deve repetir a dobradinha com Dudu Colombo, se este passar nas eleições prévias do PT.
Embora o grupo que apoia a candidatura própria, liderados por Ricardo Cougo, Paulo Delevati e Sérgio Parodes, afirme que tem maioria no diretório, o melhor é não cantar vitória antes do tempo.
O grupo aposta em Adriana Lara para ser a candidata de uma grande aliança para disputar o lugar ocupado por Dudu. 


O prefeito, o vale e a vida
Na entrevista que concedeu à Rádio Cultura, Programa Jornal da Cultura, na manhã de quarta-feira, 22, o prefeito Dudu Colombo disse que o Projeto do Vale-Alimentação, com reajuste para R$ 4, é resultado de uma construção e entendimento com o Sindicato dos Professores Municipais. O SIMBA, Sindicato dos Municipários, não entrou na conversa porque está sob intervenção. Quanto ao aprovado na Câmara prevendo R$ 4,50 e em agosto R$ 5, o prefeito disse que é apenas um indicativo e que já havia esclarecido sobre a capacidade financeira da Prefeitura, que não pode ir além dos R$ 4 oferecidos.
Cá entre nós, um discurso bem diferente dos tempos de oposição.

Real e imaginário
PABLO LISBOA
O redator deste blog conversou com Pablo Lisboa, o secretário dos 200 Anos de Bagé, que permanece no cargo até a próxima terça-feira, 28 de junho. 
Feliz com a cidade que aprendeu a gostar, agradecido com o auxílio e o carinho dos amigos e colegas de caminhada na Prefeitura, fica a sensação de que faltou algo para complementar seu trabalho. Vale ressaltar que em nenhum momento Pablo Lisboa se queixou, pelo contrário só teceu elogios ao amigo Dudu Colombo. 
A conclusão do autor desta página, observando os trâmites, ações reais e imaginárias, é a seguinte: Mais que ser alguém distante das particularidades do município, dá para perceber que o secretário da Secretaria Executiva dos 200 Anos nunca teve uma pasta municipal de verdade. A secretaria poderia ser algo real e concreto. Ou nada ser. O que não poderia era funcionar como uma peça de ficção. Ter, mas não ter. Ser, mas não existir. Sem orçamento, sem servidores, sem estrutura... mais parece aquela história do “foi sem nunca ter sido”, do Berço do Herói, de Dias Gomes, que se transformou em Roque Santeiro na televisão.
Para um “escrivinhador” crítico dessa história toda e que percebeu a ilusão quando Nilo Rossell Romero caiu fora da obra de ficção dos 200 Anos, perceber em Pablo Lisboa as boas intenções e a vontade de fazer muito pelo bicentenário de Bagé é algo que entristece. Ele merecia mais apoio externo, merecia algo concreto, uma equipe qualificada de projetos e ação. Merecia algo condizente com o bicentenário de uma cidade tão rica de história, de personagens e de pioneirismo.    

terça-feira, 21 de junho de 2011

Adriana e os partidos
Na edição do final de semana, 18 e 19 de junho, esta coluna publicou que com o PSB são quatro os partidos que querem Adriana Lara em suas fileiras concorrendo à Prefeitura. Foram citados PTB, PDT e PV.
Faltaram: PPS e PCdoB. 


Salazar atípico
O vereador Ruben Salazar, PT,  relatou outro dia que a Saúde em Bagé vive uma situação atípica. “Não há nenhum caos na Saúde, mas uma situação diferente com as mudanças de temperatura.”
Salazar convidou o colunista desta página a visitar seu consultório. “Também está sempre lotado. É um momento atípico.”


Alceu Moreira e Lavras
O deputado federal do PMDB, Alceu Moreira, esteve esta semana em Bagé e visitou a Câmara. 
Questionado pela vereadora Sonia Leite, PP, sobre o asfalto da estrada Bagé-Lavras, Alceu Moreira usou sua velha e boa retórica: “O caminho mais curto para não conseguir nada, é ser dono da obra sozinho.”
Depois lembrou que existe projeto e está nas mãos do governador.  



PSB e os pingos nos ii
A direção Executiva do Partido Socialista Brasileiro tem reunião importante quinta, 23. Pingos procuram is.



Compra de companheiros
As vereadoras Jussara Carpes e Adriana Lara, ambas do PT e de correntes diferentes no partido, foram à tribuna da Câmara, na manhã de ontem, 20, denunciar o que denominaram de “compra e aliciamento” de “companheiros partidários” para as causas do prefeito. Jussara Carpes apontou o líder do governo, Ruben Salazar, de tentar fazer isso. 
“É mais fácil pegar alguns e colocar no bolso. É mais fácil aliciar, é mais fácil comprar do que o convencimento político”, disse Jussara.
A vereadora Adriana Lara aproveitou a denúncia para ser solidária e dizer que aconteceu isso com pessoas do PT que estavam ao seu lado. Em outras palavras, a parlamentar declarou que essa prática enoja.
Segundo Adriana, há uma intenção nisso tudo, garantir a candidatura de Dudu Colombo à prefeitura em 2012, pelo Partido dos Trabalhadores, vencendo as prévias.. 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Luciano Pinto detona Secretaria da Fazenda em depoimento à CPI da Câmara de Vereadores

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga possíveis irregularidades na Secretaria Municipal da Fazenda ouviu no dia 3 de junho, o advogado e servidor municipal, contratado como Cargo de Confiança do Executivo para ser procurador Fazendário de Bagé, Luciano Porto Pinto.
Exerceu suas atividades  da metade de 2007 até outubro de 2010.
Quais as atividades que exercia, especificamente?
Luciano - Execuções fiscais que tramitam já em maio de 2007 existiam no Forum 20 mil processos de execução fiscal ajuizados. Tomamos a frente das execuções. Ao chegar na Procuradoria só havia dois advogado trabalhando nos 20 mil processos. Execuções que montava mais de 20 milhões de reais, o que pedia um investimento maior do quadro. Não havia controle, levantamento de quantos processos, não se tinha isso com precisão, não se sabia quantos processos tramitam na 1a., na 2a ou na 3a vara cíveis, não se sabia quanto arrecadavam com esses processo, não se sabia quantos processos passavam mais de cinco anos dentro do Poder Judiciário sem nenhuma movimentação por ausência de controle...
Pensei que minha atividade seria essa, exclusivamente, mas não, elas se alastraram bem mais do que as circunstâncias da Secretaria da Fazenda. Até o último momento em que estive lá, surgiam os mais diversos problemas de cadastro de ISS, e que eram encaminhados para aquele setor. A maior parte do tempo, atendiamos essas pessoas ao invés dos processos. Fazíamos diversos trabalhos, também, além da Fazenda, por falta de advogados no quadro.
GUSTAVO - Quando o senhor entrou em 2007 tinha 20 mil processos, com dois advogados, vocês conseguiram dar conta ou teve muitos arquivados?
L.P. - O número de processos arquivados era muito significativos. Não tinha mais solução, a prescrição já tinha tomado conta. 
Adriana Lara - Quantos processos prescreveram?
L.P. - Nunca fizemos a quantificação, não havia como trabalhar com o que estava perdido. A decisão interna era trabalhar em cima do que era possível ter resultados. Perto de 2009, fomos chamados numa vara cível e lá foi nos mostrado a quantidade de processos arquivados, sem solução de continuidade. (...)
Adriana - O senhor sabe o valor que a Prefeitura deixou de arrecadar?
L.P. - Não. Mas, se tinha 20 mil processos, na época a dívida ativa ajuizada era de 20 e poucos milhões, o secretário da Fazenda disse aqui que (...) a dívida ativa ajuizada passava de R$ 60 milhões.(...) Portanto, é possível fazer um cálculo por aproximação (Ele quis dizer que o cálculo pode ser feito por 1/3 do total devido).
Adriana - Se tivesse mais advogado não teria tanta perda?
L.P. - Tenho convicção disso. Não é um problema exclusivo de Bagé, mas o problema de Bagé é grave. 
Parece que a intenção do município nunca foi cobrar do contribuinte. Se não teria investido na procuradoria fazendária, em equipamentos novos, não é possível que estivesse lá um estagiário trabalhando se não tinha computador. O que ele fazia, então?  (...) Estou à vontade para dizer isso agora, porque estou foram, mas todos os meus colegas que aqui estiveram disseram a mesma coisa, o secretário da Fazenda, o membro do Controle Interno, de forma indireta. (...) Todos qdisseram “nós sabíamos que a Procuradoria Fazendária tem deficiências”. Ora, se todos sabiam que tem deficiência porque deixaram? Eu não sou ordenador de despesas, eu não contrato pessoal... (...) Se todos sabiam, na verdade, todos eram coniventes com a situação de “deixa assim”. Parece que é isso, mas é um juízo pessoal. Opinião minha de que não houve interesse de realmente cobrar.
Gustavo - Se a Procuradoria da Fazenda trabalha só com as execuções ou outra coisa?
L.P. - Não há exclusividade. Prestávamos assessoria para outras secretarias. Planejamento e Desenvolvimento Econômico, são exemplos.
Gustavo Morais - Quantos processos existem tramitando?
L.P. - Ninguém sabe. Cada um diz um número. A presidente do inquérito administrativo também não sabe. (...) Isso demonstra que até 2011, a Secretaria da Fazenda não sabe.
Provavelmente em torno de 17 mil quando eu saí da Fazenda.
O valor dito pelo secretário é de mais de R$ 60 milhões. 
Quanto eu saí era em torno de 40 milhões.
Gustavo Morais - Como é feito o controle do ajuizamento dos processos judiciais?
L.P. - Da forma como é possível. As terças pegávamos os processos em cargas da vara cível. Ouvi o secretário dizer que havia um controle melhor dos maiores devedores do município. Penso que isso é impossível. Se não tem como controlar os processos, não tem como fazer determinadas estratégias para trabalhar com grandes devedores.  O que ele mesmo falou? Porque os grandes devedores tem como contratar bons escritórios de advocacia de Porto Alegre, tem grandes estruturas, muito superior a que existe na Secretaria da Fazenda, procrastinando os feitos, fazendo com que os processos sofram todo o tipo de recurso, e nós não temos tempo e nem pessoal adequado para fazer uma estratégia de igual para igual com esses grandes devedores. Então, na verdade, o grande devedor foi sempre um temor da Procuradoria Fazendária, porque ele exige muito tempo. Eu posso dizer que no tempo em que lá estive somente os CCs da Procuradoria é que trabalhavam com esses processos de maior complexidade, porque o concursado não quer trabalhar com processo de complexidade, o concursado quer trabalhar no processo que é simples. Ele faz o “manda suspender”, “manda fazer uma penhora”. Agora um processo que seja oriundo de título do Tribunal de Contas do Estado, esse vai pro CC, porque se o Cargo de Confiança errar é problema dele, cai fora. O concursado se detém, graças ao efetivo da Procuradoria, todos os funcionários são esforçados, tecnicamente com condições, mas sem estrutura e número adequado. Só tínhamos controle das audiências que fazíamos. 
Gustravo - O senhor sabe quantos devedores devem acima de um milhão de reais para a Prefeitura?
L.P. - Acima de um milhão não são muitos. Não vou saber precisar. O Juarez (Ramos) mencionou a Statdbus aqui, o secretário disse que teria uma questão de sigilo. Mas, como estou sendo interpelado pela CPI e a Casa Legislativa tem legitmidade para fiscalizar o que é público. (...) Eu lembro, por exemplo, que um grande devedor é a Unimed. Aliás, era uma grande dor de cabeça que nos dava em razão da sua dívida. A Unimed tinha dois processos. (...) É uma grande devedora de ISS. Somados os dois podem passar de R$ 2 milhões com o município. Quando cheguei lá era de conhecimento que a Unimed era chamada para negociar. .É uma prestadora de serviço, cooperativa, que possui um grande lobbty em todo o país e precisávamos contratar a quantidade de recursos e o não pagamento. Ela defendia que enquanto cooperativa não devia pagar Imposto Sobre Serviço. Nós entendíamos que o ISS incide sobre a venda do plano de saúde para o terceiro. Porque isso não é feito entre os médicos, entre os cooperados. É venda de plano para um terceiro. Dessa dívida nunca foi pago nada. Existem duas ações ajuizadas. Dessas ações não se fez nada. A Unimed tentou fazer algumas ofertas para o município. Eu disse que seria contra a lei nos submeter ao poder econômico, do tipo devo R$ 2 milhões, mas pago 600 mil. Eu disse ou se faz o acordo dentro da Lei, porque não se pode mexer na base de cálculo. 
Gustavo - Alguma empresa mais (A Unimed acabou sem pagar), o Juarez, do Controle Interno, citou que existia também ex-prefeito devedor, como estão esses processos? 
L.P. - Os ex-prefeitos sofrem uma fiscalização mais profunda do Tribunal de Contas e do Ministério Público. Os ex-prefeitos são apontamentos de suas administrações, apontadas pelo TC e que se transformaram em dívida ativa. (...) Esses processos existem, eles estão tramitando. Em andamento natural.
Gustavo Morais - Temos informações de bancos devedores...
L.P. - São inúmeros os processos. Os bancos são os grandes devedores. Pelas multas, por descumprimento das filas, portas giratórias... Alguns deles podem ter dívidas superiores a R$ 2 milhões de reais. Em razão de multas. Quando os valores são menores, geralmente, eles pagam.
Jussara - Quando o senhor aborda na sua fala a contratação de escritório. Como se dá isso.
L.P. - Eu falei das empresas devedoras, algumas contratam. Mas, no início do governo Mainardi houve a terceirização de escritórios de advocacia para dar agilidade aos processos. Mas, alguns acabaram desistimulados. (...) Existem ainda dois que perduram, Valter Pereira Filho e Clementino Pigatto. 
Jussara - O senhor coloca que em 2007 tinha acúmulo de trabalhos, mas não citou os escritórios, que tinham demanda.
L.P. - No máximo três mil processos e hoje não chegam a dois.Quando cheguei todos eles abandonaram, o contrato tinha tempo determinado. Na verdade, quando cheguei a grande maioria das terceirizadas estavam saindo. O problema se avolumou. 
Jussara - Qual os encaminhamentos em relação às terceirizadas? Quais foram as suas iniciativas para que pudesse dar conta da complexidade do fato ante os processos que se avolumavam? Em que período foi rompido o contrato?
L.P. - O volume já estava grande. Com a Lei de Responsabilidade isso foi acelerado, de 2000 para 2001 era preciso executar tudo o que fosse possível, e assim foi feito. No governo Azambuja foi feito o chamamento para advogados terceirizados e no governo Mainardi também.
Quando os advogados contratados começaram a entregar os processos, comunicamos ao prefeito Mainardi. (...) Não tendo muito sucesso com isso, mesmo tendo levado um puxão de orelha do Juarez e de Tirso (secretário), resolvi informar ao Tribunal de Contas a nossa situação, o número de pessoas. Depois, o Juarez acabou dizendo que recebeu um apontamento sobre a falta de pessoal. (...) O medo que eu tinha era responder pelas prescrições dos processos. Ainda bem que não foi isso que aconteceu. 
Adriana Lara - O senhor fez uma declaração muito importante quanto aos maiores devedores. O senhor disse que os funcionários do quadro efetivo acabam não querendo fazer essas execuções, que acabam ficando para os CCs. Quantos CCs são na Fazenda?
Luciano - Eu e o Adilberto. Hoje, eu não sei.
Adriana - Vocês conseguiam acompanhar esses processos?
Luciano - Eu levava para casa. Não havia como fazer tudo ali. Se estivesse terminando o prazo, pedíamos adiamento. Não tem como fazer. (...) A Justiça envia expediente à Procuradoria da Fazenda para que devolva documentos sobre pena de busca e apreensão. (Ele cita milhares). E quando isso acontece, pedimos o adiamento ou arquivamento para que não se perca o processo. 
Gustavo - Queria que nos informasse, 150 processos foram examinados pela Sindicância da Fazenda, nesses 150 foi encontrado um desvio de R$ 65 mil, que é atribuído ao senhor. Por que não apareceu na contabilidade da Prefeitura esses 65 mil reais? Qual foi o erro ou qual a conta que o senhor depositou da Prefeitura?
Luciano - Em determinado momento, a Procuradoria Fazendária, entendeu que existiam procedimentos atribuídos a minha pessoa, dentro dos processo que não correspondiam, procedimentos dentro do sistema informatizado DB Seller, que o município utiliza, que não correspondiam à realidade existentes nos processos. Baseia-se a acusação no princípio de que se o município não consegue encontrar determinado depósito, o Luciano é o culpado. Bom, eu não encontro um depósito e eu tenho que justificar o não encontrar esse depósito com o Luciano sendo culpado. Eu vou induzir todo um procedimento administativo para poder responder aquilo que eu quero encontrar, encontrar o Luciano como culpado. “Eu vou encontrar o Luciano como culpado, eu vou revestir o processo, vou juntar folhas, vou tirar copias, vou demonstrar que existem erros, que existem falhas, vou demonstrar o que eu quiser, mas vou chegar a esse resultado.” Só que é preciso que se respondam outras coisas. Por que não se questiona a capacidade que tem o município de saber aonde estão os seus créditos? O município tem a capacidade, realmente, de saber aonde estão  os seus créditos para poder acusar alguém, dizer que esse alguém desviou, se apropriou? 
Primeiro: Não faz parte da minha história, nem da minha família, qualquer atividade ilícita. Não faz parte da minha história fazer atestado de torpeza, de burrice, se todo o servidor da Secretaria da Fazenda possui uma senha, se todo o registro que permanece no sistema está registrado, feito pelo Luciano; se todo o alvará expedido pelo Forum para os advogados em execuções fiscais consta o meu nome; se tudo consta a minha assinatura; se tudo pode ser revisto a qualquer tempo, - e se eventualmente nós erramos, e erramos, todo o procedimento - isso foi dito aqui e erradamente - isso me surpreende - o procurador fazendário  não tem o poder de dar cancelamento de dívida, ele tem o poder de fazer registro. Só quem faz o cancelamento de dívida é o fiscal tributário porque é atribuição em lei. Ele não tem acesso a fazer o cancelamento de dívida, só de fazer o registro. “E se ele erra no registro?” Erra.  Basta que se abra o sistema DB Seller, aparece supostamente o cidadão fulano de tal devedor dos exercícios de 99, 2000, 2001, 2002, aparece os quadradinhos, eu estou atendendo determinada pessoa, eu ‘clico’ naqueles quadradinhos para excluir determinados exercícios que estão prescritos para registrá-los... e se eu erro marcam todos. Isso acontecia. As vezes erramos e excluíamos tudo, inclusive exercícios que não estavam prescritos. O que nós fazíamos? Dava um tempo, o fiscal tributário ligava e dizia: Luciano, tu fizesse alguma coisa errada. Ou, então, eu ligava para ele e pedia que cancelasse o registro de cancelamento, porque eu tinha errado.” Isso é possível, factível. Isso era rotina. 
Eu posso fazer o cancelamento de uma dívida? Posso. Preciso fazer uma referência sobre o que foi dito aqui (na CPI), porque me chama a atenção o tremendo desconhecimento de alguns que me antecederam. “É possível nós pedirmos a extensão de um processo em curso? Não. Não pode.” Mas, que absurdo. Pode. Como não pode? Não só pode como está amparado em lei municipal. (...) 
Gustavo - Há condições da Preeitura estar mantendo alguns privilégios?
Luciano - Eu não sei se eu disse isso. Meus antecessores aqui, todos envolvidos demais no trabalho, não tem tempo para avaliar se é esse ou aquele. Nós somos um quadro subordinados ao secretário da Fazenda, que por sua vez é subordinado ao prefeito. A responsabilidade, em razão de materia de Responsabilidade Fiscal, é do gestor. Se há privilégio, não sei. Provavelmente, como em todo o lugar, como se sabe, né...?
Gustavo Morais - O senhor pode nos esclarecer melhor a falta desses 65 mil reais? Onde acharam a falha desse dinheiro?
Luciano - Posso. Eu fui afastado da procuradoria da fazenda em outubro. Todos os documentos que existiam ao meu cargo foram arrecados pela Procuradoria Jurídica do Município, que penso tomou para si, inclusive, a responsabilidade de dar cumprimento aos prazos processuais que corriam, após a minha saída. Que assim não fez, perdeu prazos. Depois que eu saí continuam apontando, dizendo que eu sou respnsável por prazos. E eu não estava mais. Ainda me restou responder a um inquérito civil do Ministério Público. em razão do município ter perdido prazo. Injustifiado. Ambos vencidos em 16 de novembro, data em que eu não estava mais. Acho isso injusto. 
O município alega que tem contra mim é que não conseguiram encontrar determinados depósitos. Eu não estava no município antes de 2007 . (...) É possível, sim, receber depósito em sua conta e esses valores não serem encontrados. Isso não é caso isolado. Existem contribuintes que pagam e que o município não encontra. E se não encontra onde está essa verba arrecadada? Ora, eu posso fazer uma suposição. Fazem suposição ao meu respeito. Uma suposição daquilo que ouço internamente: Ora, na hora de mandar as contas para a Câmara de Vereadores para aprovação não pode aparecer receita que não tem origem. Se apareceu um valor e esse valor está depositado, mas não sei de onde é, bota como outra coisa, bota como honorários advocatícios. (...)
Um pouquinho antes de eu sair aconteceu um caso. Chegou um cidadão que fez um protocolo - ele e a filha - processo número 100460. “Meu nome é Afonso Celso Leal. Fiz um pagamento de cota único de IPTU, tenho o recibo, e o município me cobrou esse valor. E eu paguei de novo, não me dei conta que já tinha pago. (...) Procuramos localizar o depósito da “cobrança em duplicidade”. O técnico de informática Luis Cláudio de Lima procurou, não encontrou e me disse que “existe uma possibilidade muito grande de cidadão que pagam seus impostos e que o município não consegue encontrar o pagamento em seus depósitos”. Isso existe?, perguntei. Existe, respondeu. E eu não sabia. Mas, o que se faz num caso desses? Não se faz. Os casos vão acontecendo. 
O cidadão pagou. E onde foi parar esse dinheiro? Eu não estava na prefeitura. (...) 
Aconteceram outros casos. Pode ser que agora apareçam outros que pagaram em duplicidade. 
Na verdade o que o município atribui a mim é a sua incapacidade de poder gerenciar valores. É mais fácil culpar um e se exime do resto.  Fizeram um procedimento administrativo com uma pressa incessante. Logo depois, eu saio da Preeitura e aquilo que não sou culpado e não posso ser culpado, como a perda de prazos, é atribuída a mim. Depois que eu saí ainda abre uma sindicância para apurar fatos que  a mim não pode ser atribuída culpa. Isso me causa um grande dissabor, desde lá. 
Adriana Lara - A culpa dele. Sobre a baixa em 65 mil. 
Eu dei baixa não em 65 mil, muito mais. Por quê? Os processos que existiram em extinção foram cancelados. 
Depois de algumas respostas evasivas e voltar a afirmar sua inocência, o presidente da CPI, Gustavo Morais, sugeriu que Luciano Pinto voltasse para depor na próxima semana.  
  

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Política de resultado
e pensamento único
Duas das mais destacadas personalidades politicas da Região, Afonso Hamm e Luis Augusto Lara, estiveram presentes em Bagé no final de semana para eventos políticos e de governo. Os dois apresentaram o mesmo discurso: a política de resultados. 
Eis o grande argumento filosófico da nova política: resultado prático, pragmatismo.
obra de Danúbio Gonçalves
Hamm e Lara tem razão em seus discursos, que em resumo lembra que “a política da desavença não cabe mais e que Bagé precisa de resultados práticos para desenvolver”. Ambos salvaguardam suas ações, ambos ufanam seus estilos, ambos avisam que “brigas” não levam a outro caminho que não aquele do “atraso”. 
Mais uma vez, esta página enaltece a razão de seus discursos, porém, em parte. Em parte.
Se os pensadores e formadores de opinião da cidade e da região não se aterem ao que está sendo dito e feito, o perigo de forjar uma geração inteira de “vaquinhas de presépio” é eminente. Isso porque já está incrustado no coletivo comunitário que o embate político é “baixaria ou atraso”, quando não é. A discussão, o debate, a dialética são vitais para o desenvolvimento social e intelectual de uma cidade, estado e país. A investigação racional dessa nova onda pragmática é necessária.
A ação benéfica é benvinda. Concordar com tudo, sem espaço para o contraditório, é maléfico. 
Algumas comunidades aceitam a casa pintada, a cerca arrumada e a geladeira cheia como o ideal de vida. Outras querem mais que isso, querem a filosofia, o conhecimento, a capacidade de discernimento. 
Eis uma discussão que não entrou no Plano de Desenvolvimento Econômico e Social de Bagé, apesar da vertente marxista da secretária municipal Magda Flores, a coordenadora do plano. 
Se a “nova ordem política” é pregar o resultado, sem o debate, é preciso abrir os olhos para o que pode resultar disso. Se o caminho continuar sendo esse, teremos sindicatos de trabalhadores e associações de moradores cabisbaixos - e já o temos; teremos parlamentares envergonhados de propor debate, porque a “ordem” é não entrar no contraditório; teremos um povo “concordino”, acreditando, inclusive, que política, religião e futebol não se discute, quando é, exatamente, o contrário. Discute-se, sim, e muito.
Vale, ainda, destacar que discutir não é o debate vazio, o popular “bate boca” vazio, é mais, bem mais. 
Portanto, cuidado. Essa história de política de resultados é uma via de duas mãos, e quem não concordar pode ser colocado à margem. As grandes nações aprenderam a respeitar seus cidadãos porque eles foram protagonistas de seus destinos, através do debate, das idéias próprias, da capacidade de  discernimento, - coisas que só são possíveis praticando.
Bagé não é uma cidade sem desenvolvimento. Pelo contrário, a história conta isso, aqui viveram pessoas de vanguarda, de ousadias, de discurso afiado, ideias, ideais e resultados práticos, como Gaspar Silveira Martins, Emílio Guilain, Antônio Ribeiro de Magalhães, José Octávio, Fanfa Ribas, entre tantos e tantos outros.
Não é possível levar em consideração, simples e vago, o hiato de duas décadas, quando os investimentos se foram, nos anos 80 e 90.
De agora para o futuro, se não vingar o discurso único, não há como retroceder, Bagé desenvolverá, em todos os sentidos.  

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Cursinho para conselheiros 
Em sessão extraordinária, a Câmara aprovou a extinção da necessidade de prova de conhecimento para os candidatos ao Conselho Tutelar. A partir de agora, quem quer  ser conselheiro terá de passar por capacitação. O presidente da Câmara, Silvio Machado, PT, apresentou emenda ao projeto, instituindo a apresentação da escolaridade na posse, enquanto Edegar Franco incluiu o adiantamento do município para despesas de pronto pagamento. Já, a vereadora Téia Pereira fez a emenda que concede benefícios aos conselheiros para o recimento de vantagens como servidores públicos municipais
FRASES
“O secretário do Meio Ambiente é uma figura decorativa. Não sei pra que criaram esta secretaria. Só serve para empregar o amigo do rei.”
Gustavo Morais, PMDB


“Deixem esse homem trabalhar. É isso que peço pra vocês.”
Ivan Casartelli, do PRB, aos vereadores (o homem no caso  é o prefeito)


“Será que a nossa gente não sabe colocar carne dentro de uma tripa?”
Gustavo Morais, falando de desenvolvimento, indignado com tanta linguiça de fora no mercado de Bagé

sexta-feira, 6 de maio de 2011

DUDU BOM OU RUIM?
A dúvida que teima em azucrinar a cabeça de dirigentes partidários, vereadores e agentes politicos em geral de Bagé é: O governo de Dudu Colombo está bom ou está ruim?
Se alguém perguntar para o vereador Ivan Casartelli, por exemplo, ele vai dizer que está excelente e, talvez, que “nunca antes na história política deste município um governo esteve tão bem”. 
Mas, se alguém questionar o ex-prefeito Luiz Fernando Mainardi, o velho caquete nervoso volta e ele executa, na hora: “Horrível.” Quem sabe, sendo ameno, diga: Péssimo. 
Alguns, como o radialista e colunista deste jornal, Edegar Muza, afirmam que o povo está gostando. Porém, há na própria prefeitura, aliados, que preferem não comentar e demonstram na face e na linguagem corporal que a coisa não está boa.
Tal dúvida a respeito da administração petista em Bagé está levando os dirigentes partidários, incluindo a base do governo, a abrir portas para novas perspectivas em 2012. Entre esses, o PSB e PCdoB. E há quem diga que o PR começa a perceber que um outro mundo é possível além da coleira petista.
Outro dia, o prefeito declarou em ato público, segundo comentários republicanos, que existe uma obra sua em cada canto da cidade. 
Os vereadores apontam um grande problema em cada uma dessas obras, do saneamento na zona leste à condução do Programa Esporte e Lazer. 
A dúvida não havia em 2004, quando o PT levou Mainardi à reeleição sem entraves internos. Aliás, naquela ocasião a oposição foi ao pleito com três candidatos. Todos sabiam que era uma missão quase impossível e utilizaram-se de duas desculpas para entrar na eleição: abrir o verbo para declarar aos quatro cantos coisas erradas da admnistração Mainardi e fortalecimento de partido. O discurso da linha ideológica também esteve presente, mas em menor proporção, como foi o caso da união PP, PFL e PTB. Esses três partidos não poderiam apoiar Mainardi, não naquele momento. 
O PSTU, embora tenha apresentado candidatura, não entra na lista. 
Hoje, a situação é diferente. Se em 2004 o consenso geral era “jogar” para não tomar goleada e em 2008 havia uma esperança, em 2012, o que surge é a possibilidade real de emplacar uma candidatura, como disse essa semana Bayard Paschoa, do PPS, com densidade administrativa e eleitoral. 
A dúvida em torno da avaliação do governo possibilita que a oposição dê sinais de maturidade. Se alguém quiser ‘apear” Dudu da Prefeitura terá de demonstrar a maturidade política que faltou aos partidos em outros anos. 
O quadro abaixo procura ilustrar o que aconteceu nos últimos 20 anos. Em determinadas ocasiões, é possível observar a falta de madureza dos dirigentes partidários. 
PANAMORAMA DAS ELEIÇÕES PARA PREFEITO EM 20 ANOS
1992
Era prefeito Luis Kalil, vice Carlos Azambuja - PDS
Candidato    -             Coligação   -               Votos
Luiz Alberto Vargas - PDT/PTB/PSDB/PCdoB -   21.230
Fernandinho Teixeira - PDS/PMDB/PL/PFL/PRN - 18.719
Luiz Fernando Mainardi -          PT/PSB        - 16.243 
1996
Era prefeito Vargas, vice Sapiran Brito - PDT
Candidato    -                   Coligação   -                  Votos
Carlos Sá Azambuja - PPB/PFL/PL/PSDB/PTdoB    -31 .025
Luiz Fernando Mainardi -      PT/PMDB                   - 27.970
Olnei Francisco Gomes -          PTB                 - 2.132
Cristina (Tininha) Maurente - PSB/PPS/PCdoB    - 1.288
PS.: O PDT que detinha a Prefeitura, não apresentou candidato, nem coligou oficialmente
2000
Era prefeito Carlos Azambuja, vice Guarani de Bem - PPB
Candidato    -             Coligação   -               Votos
Luiz Fernando Mainardi -  PT/PDT/PCdoB/PCB       - 28.157 
Carlos Sá Azambuja - PPB/PSDB/PMDB/PL/PSN -   25.031
Guarani de Bem -                  PFL                    - 5.671
Carlos Alberto Fico -              PSB/PPS             - 3.008
Clementino Molina -                PTB                  - 2.760   
- A reeleição para prefeito passou a ser Lei      
2004
Era prefeito Luiz Mainardi, vice Jucelino Santos - PT/PDT
Candidato    -             Coligação   -               Votos
Luiz Mainardi -  PT/PSB/PL/PPS/PCdoB/PCB/PSDB    - 42.390 
Sonia Gomes Leite   -    P/PFL/PTB                   -16.672
Jucelino Rosa dos Santos -   PFL                      - 5.106
Pedro Sabella -              PMDB                        - 2.382
Jackson Kamphorst -       PSTU                       -    806         
2008
Era prefeito Luiz Mainardi, vice Bayard Paschoa - PT/PSB
Candidato    -             Coligação   -               Votos
Dudu Colombo -    PT/PSB/PR/PRB/PCB/PSC/PV     - 35.747 
Fernando Teixeira - PMDB/PDT/DEM/PHS/PTdoB - 23.273
Antenor Teixeira -          PP/PSDB/PTB              - 6.964
Bayard Paschoa renunciou na última semana em favor do candidato Fernando Teixeira.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Jussara Carpes prefeita de Bagé 
A vereadora Jussara Carpes está dispostas a concorrer nas eleições prévias do Partido dos Trabalhadores para definir quem concorrerá à Prefeitura em 2012.

Se manter sua decisão até o início do ano que vem, concorre com o atual prefeito, Dudu Colombo.
Jussara pertence a corrente interna Unidade na Luta, enquanto Dudu é da Democracia Socialista.
Embora alguns partidários teimem em defender a não realização das prévias, a maioria do PT está decidida a organizar o Processo de Eleição Direta.
Em 2004, para a reeleição de Mainardi, houve consenso. Agora, não.
Hamm no Dia do Trabalhador
O deputado federal Afonso Hamm, do PP, comemorou o Dia Internacional do Trabalhador em Bagé. Ele participou do torneio de homenagem, realizado no Complexo Esportivo Militão. Também prestigiou a programação do Rodeio do seu Xirú, realizado no CTG 93.
Sonia x Ivan
A subida à tribuna da Câmara por parte da vereadora Sonia Leite, do PP, nesta segunda-feira, 2 de maio, ocorreu por um motivo específico: responder ao vereador Ivan Casartelli, do PRB, que na sessão de quinta-feira, 28, disse que ela deveria olhar para trás e ver o que o seu governo fez, "pois deixou Bagé um caos". Em seguida, ao perceber um sorriso de Sonia, pediu que ela não risse: "Não ria, vereadora. A senhora diz um monte de bobagem e eu não rio."
Eis um trecho da resposta da vereadora:
“Vereador Ivan Casartelli, o senhor e nem ninguém me calará! Nada me calará! Tenho posição e orgulho em pertencer ao Partido Progressista.
Meu voto vem única e exclusivamente do meu trabalho, que com muito orgulho é a comunidade  e voluntários que abraçam e apoiam.
Meus  projetos é do conhecimento de todos. Trabalho muito  para corresponder a expectativa das pessoas que confiaram o voto em mim.E também daqueles que hoje passaram a me conhecer  e com isso conquistei  a sua credibilidade.
Isto o senhor chama de bobagens??”